Somos viciados em migalhas! Em algum momento da vida somos como pombas, só que ao invés de voar atrás de migalhas de pão, corremos atrás de migalhas de atenção.
E estas migalhas tem um efeito entorpecente 24, 36, 48 horas de euforia e alegria!!! E quando passa (assim como qualquer droga) vem a depressão, a necessidade de outra dose, porque a realidade é cinza e fria. É mais potente e viciante que qualquer droga conhecida.
O usuário promete se afastar, seguir a vida, jura que nunca mais vai consumir doses de migalhas, mas quando vê está implorando desesperado por um pouco de atenção... quem sabe um sorriso ou um simples olhar... ahhhhhhhhh como a sensação é boa, revigorante e faz o infeliz se sentir vivo, amado, feliz!!!!!!! Sim! Ele sabe que é efeito da droga, mas nessa hora não importa. A ilusão que as migalhas se tornem algo concreto é mais forte, é o efeito alucinógeno das migalhas que toma conta de sua consciência...
E mesmo após o efeito ter passado ficam as lembranças, fragmentos de memória para relembrar, sonhar e desejar que se repitam, cada vez com mais frequência e maior intensidade. E vêm a loucura, o desespero, a necessidade de mais e mais doses, porque ele não consegue mais viver sem migalhas.
É impossível sair deste círculo vicioso sozinho. Talvez alguma alma caridosa deva criar um centro de ajuda VMA (Viciados em Migalhas Anônimos). Ou quem sabe no desespero o viciado deva largar tudo, casa, família, amigos, e se mudar para um país distante, longe de sua fonte de migalhas.
É provável que qualquer tentativa seja frustrada, mas vale a pena tentar. Se concentrar em coisas reias, inteiras, sentimentos vivos e correspondidos.
Se você se identificou, não se dessespere, não está sozinho, existem muitas pombas neste mundo. Pessoas de todos os tipos, escondidas atrás de muitos disfarces. Todas guardando suas migalhas e se alimentando delas todos os dias.
Afinal até o poeta cantou (cante com ele):
“Migalhas dormidas do teu pão
Raspas e restos
Me interessam
Pequenas porções de ilusão
Mentiras sinceras me interessam
Me interessam, me interessam...” (Cazuza)
Raspas e restos
Me interessam
Pequenas porções de ilusão
Mentiras sinceras me interessam
Me interessam, me interessam...” (Cazuza)
