segunda-feira, 25 de abril de 2011

Ora, Pombas!!!

Somos viciados em migalhas! Em algum momento da vida somos como pombas, só que ao invés de voar atrás de migalhas de pão, corremos atrás de migalhas de atenção.

E estas migalhas tem um efeito entorpecente 24, 36, 48 horas de euforia e alegria!!! E quando passa (assim como qualquer droga) vem a depressão, a necessidade de outra dose, porque a realidade é cinza e fria. É mais potente e viciante que qualquer droga conhecida.

O usuário promete se afastar, seguir a vida, jura que nunca mais vai consumir doses de migalhas, mas quando vê está implorando desesperado por um pouco de atenção... quem sabe um sorriso ou um simples olhar... ahhhhhhhhh como a sensação é boa, revigorante e faz o infeliz se sentir vivo, amado, feliz!!!!!!! Sim! Ele sabe que é efeito da droga, mas nessa hora não importa. A ilusão que as migalhas se tornem algo concreto é mais forte, é o efeito alucinógeno das migalhas que toma conta de sua consciência...

E mesmo após o efeito ter passado ficam as lembranças, fragmentos de memória para relembrar, sonhar e desejar que se repitam, cada vez com mais frequência e maior intensidade. E vêm a loucura, o desespero, a necessidade de mais e mais doses, porque ele não consegue mais viver sem migalhas.

É impossível sair deste círculo vicioso sozinho. Talvez alguma alma caridosa deva criar um centro de ajuda VMA (Viciados em Migalhas Anônimos). Ou quem sabe no desespero o viciado deva largar tudo, casa, família, amigos, e se mudar para um país distante, longe de sua fonte de migalhas.

É provável que qualquer tentativa seja frustrada, mas vale a pena tentar. Se concentrar em coisas reias, inteiras, sentimentos vivos e correspondidos.

Se você se identificou, não se dessespere, não está sozinho, existem muitas pombas neste mundo. Pessoas de todos os tipos, escondidas atrás de muitos disfarces. Todas guardando suas migalhas e se alimentando delas todos os dias.

Afinal até o poeta cantou (cante com ele):

“Migalhas dormidas do teu pão
Raspas e restos
Me interessam
Pequenas porções de ilusão
Mentiras sinceras me interessam
Me interessam, me interessam...” (Cazuza)